O dicionário multilíngua “Dizionariovisualein 5 lingue : English, French, German, Spanish, Italian” foi feito para auxiliar na aquisição do vocabulário cotidiano, oferecendo mais de 1.600 ilustrações, que permitirão maior eficiência e rapidez na aquisição do vocabulário cotidiano. De fácil uso, ele é ideal para estudantes, turistas e empresários.
Mais um post dedicado a uma das maiores bandas do mundo, os Bee Gees. Na verdade, é a minha favorita: amo suas canções, suas vozes, seu som. Este show é maravilhoso e seria muito egoísmo de minha parte não compartilhá-lo com o leitor do blog. Espero que apreciem.
Finalmente, consegui ter acesso a este livro, comparado por alguns a Oblómov, do russo Ivan Gontcharóv. Procurei muito e só o encontrei na Livraria Loyola, em tradução para o português de Portugal. Livro fininho, 101 páginas, editado pela Editorial Presença, de Lisboa, em 1991. Mas a busca valeu a pena. Li o livro e gostei bastante.
Se a leitura de Oblómov foi um choque, como já tive oportunidade de relatar em post neste blog, Um Homem que Dorme não chegou a me atingir a este ponto, me "nocauteando" e me fazendo rever posturas e comportamentos, mas me incomodou muito, o tempo todo. Isto porque Perec , nesta obra, monologa com o leitor do princípio ao fim. O leitor, em última análise, é o verdadeiro homem que dorme e isto incomoda!
Trata-se da história de um jovem estudante de sociologia que decide suspender o curso de sua vida, se refugiando em seu pequeno quarto, indiferente a tudo, alheio a vida. Não que ele deixe de sair do quarto. Ele sai, vai a casa dos pais, circula por toda Paris, mas a impressão que nos passa é que, mesmo estando de olhos abertos, ele dorme e delira, tamanha é sua indiferença pelo mundo:
"Andas por aí, inventas uma classificação para as ruas, os bairros, os prédios: os bairros loucos, os bairros mortos, as ruas mercado, as ruas - dormitório, as fachadas peladas, as fachadas corroídas, as fachadas enferrujadas, as fachadas mascaradas".
ou, ainda:
"Nos Jardins do Luxemburgo, observas os reformados que jogam ao bridge, à bisca ou ao tarot. Num banco perto de ti, um velho mumificado, imóvel, de pés juntos, com o queixo apoiado no punho da bengala que segura com as duas mãos, olha o vazio à sua frente, durante horas".
O estudante é um solitário, mas ele é você, e você dá de cara com a sua própria solidão, sua e de todos os que vivem em grandes centros. É a obra do solitário, o romance da solidão urbana.
Com uma técnica constrangedora e repetitiva, Perec vai descrevendo e relacionando
objetos, lugares e pessoas que compõem o universo em que vive o
estudante, com minúcias e detalhes. Faz um inventário de seus parcos
bens: três pares de meias boiadas numa bacia cor de rosa, duas camisas,
um cinzeiro,um maço de cigarros marca Gauloises, que custa 1,35 francos,
uma tigela de Nescafé adoçado com leite condensado e açúcar, o livro "Leçons sur la societé industrielle", de Raymond Aron, aberto na página 112, o "Le Monde" , uma caixa de fósforos de 0,20 francos e por aí afora.
Os detalhes da mansarda também são minuciosos e repetitivos, desde a gota d'água pingando, à banqueta que serve de cama, à iluminação do quartinho, até aos ruídos da rua ou os pigarros do vizinho, tudo é objeto de minúcias e detalhes. E estes detalhes, aliados à técnica narrativa sempre na segunda pessoa, vão te jogando em cena, é de você que Perec fala. E você se sente na pele do estudante, jogando cartas no auge da solidão e do desinteresse:
"Muitas vezes jogas às cartas sozinho. Dás as cartas para uma partida de bridge, tentas resolver os problemas publicados todas as semanas no Le Monde, mas és um jogador medíocre e os teus lanços não possuem elegância: nas sabes do squeeze, dos descartes, das passagens de mão. Uma vez imaginaste uma distribuição excepcional"(...)
e passa a descrever, em detalhes, como seria tal jogada.
Se Oblomóv era o retrato da decadência da nobreza russa, o estudante de Perec é o retrato de alguém deslocado na sociedade, para quem a vida perdeu o significado, o mundo se tornou um perigo e o isolamento do seu pequeno quarto oferece refúgio e segurança. É a cara da depressão, que hoje em dia leva tantos ao analista. Oblómov é o coadjuvante ideal para tratamentos de depressão; o livro de Perec, ao contrário, é contraindicado para deprimidos.
Mas, no final, vem o lado positivo, quando o estudante faz o caminho de volta à vida, de uma forma meio que sartriana: você não se livra da história, você faz parte dela, não tem como fugir.
"Aí
refugiado, alheia-se de tudo; adormecendo, o mundo torna-se-lhe
indiferente. Mas neste jogo doloroso, povoado de fantasmas, o jovem
estudante é derrotado. O mundo, com todas as suas exigências, não o
esqueceu, obrigando-o a acordar."
E eu,lendo o livro no meu quarto,como o estudante, tive um alívio estranho
ao terminar a leitura. Acordei para o mundo. Saí do quarto. Fui viver,
como uma verdadeira personagem de Perec.
Findo o post, duas observações:
1- Um pouco sobre o autor:
Nasceu em 1936 e foi um dos grandes inovadores da literatura no século
XX. Filho de judeus poloneses que imigraram para a França, perdeu o pai
na frente de batalha, durante a Segunda Guerra, e a mãe num campo de
concentração. Em 1965, recebeu o prestigioso prêmio Renaudot por As coisas, seu primeiro romance, e, em 1967, passou a integrar o centro de literatura experimental OuLiPo (Ouvroir de Littérature Potencielle),
fundado por Raymond Queneau. Sua prosa extremamente lúdica recorre à
lógica e à matemática para lançar uma luz surpreendente sobre os
detalhes mais repetitivos das sociedades de consumo. Perec morreu em
1982.
2 - O livro virou filme homônimo, que você pode assistir pelo Youtube. Se a sua leitura já me deu a sensação de estar sendo submetida a um processo hipnótico, o filme me deu quase que certeza de estar sendo hipnotizada. E, literalmente, foi o que aconteceu comigo: Perec, simplesmente, me hipnotizou!
Sou fã da obra de Bulwer-Lytton, já tendo postado, neste blog, Zanoni - de sua autoria. Em os Últimos Dias de Pompeia, livro que virou filme, o autor nos conduz a uma viagem no tempo e no espaço, ambientando a obra no ano 79 d.C, nos arredores de Nápolis, Itália, quando a ira do Vesúvio se voltou contra as cidades de Pompeia e Herculano. No romance, os personagens de Blulwer-Lyton estão em Pompeia e são petrificados pelas lavas do vulcão, que escondem para sempre(ou quase para sempre, já que escavações arqueológicas estão resgatando a memória daqueles tempos) o cotidiano e as riquezas de seus habitantes. Toda ação gira em torno do amor entre o rico ateniense Glauco e a napolitana Ione. Tudo muito marcado pela inveja e maldade de um outro personagem: Arbaces, um mago egípcio, tutor de Ione, que a quer para si custe o que custar. Tudo isto resulta em um plano de grande crueldade e sordidez.O autor mistura com maestria a sordidez e o lirismo, com fé e lances de feitiçaria, numa época em que o nascente Cristianismo tudo fazia para se afirmar em meio ao panteísmo e a uma sociedade pagã. Como rosa-cruz que era, o autor passa neste romance, como em vários outros, a eterna busca do homem por valores superiores:
"Narrado brilhantemente por Edward Blwer-Lytton, numa perspectiva presente, este instigante romance histórico, aqui condensado em um único volume revela que a eterna busca do homem pelos valores superiores ultrapassa a própria história e até as grandiosas manifestações da natureza. Com toda certeza, Os Últimos Dias de Pompeia é obra de enorme valor literário que vai conquistar o leitor brasileiro, assim como ocorreu em inúmeros países onde foi traduzido e se fez best-seller". (contracapa do livro)
Aproveito, aqui, para postar , também, sobre Herculano, local que me fascina por sua história e beleza e pela influência da leitura do romance mediúnico "Herculanum", escrito pelo Conde J.W. Rochester,através de uma médium que vivia em São Petersburgo, Vera Krizhanowskaya, entre 1882 e 1920. Misturo, assim, duas obras literárias sobre o mesmo tema: Vesúvio.
Atento
para o fato de a obra de Rochester possuir valor literário e,
apesar de ser mediúnica, ela difere da maioria das obras ditas espíritas pelo seu caráter não religioso: ele está mais para a literatura fantástica.
Para quem tiver curiosidade de ler este livro de Rochester, deixo, a seguir, o link para baixá-lo, do site www.minhateca.com.br:
A partir destas duas obras, recuaremos quase vinte séculos de história, para chegarmos à Herculano e a Pompeia, na Itália, cidades engolidas pelo Vesúvio e que, com certeza, atrairão a atenção de muitos: alguns - por gostarem de História, outros - pelos aspectos curiosos e instigantes decorrentes das escavações e, ainda, um grupo - pelo fato de ter sido a tragédia do Vesúvio magistralmente retratada nos romances já citados.
Espero que as imagens e vídeos aqui postados sirvam, por outro lado, para despertar a curiosidade na leitura de Bulwer-Lytton e Rochester naqueles que ainda desconhecem seus livros.
Quem leu os livros vai sentir uma certa emoção ao ver as fotos das ruínas, descobertas só mais recentemente, muito tempo após o livro Herculanum ter sido psicografado. Hoje é possível reconstituir esta tragédia passo a passo, como se estivéssemos presentes. E - até parece, que Krizhanovskaya teria tido acesso a este material, o que de fato, nunca aconteceu: ela faleceu em 1924.
Mapa acima posiciona Herculano e Pompeia, junto à baía de Nápoles
Foi a maior catástrofe da nossa era, ocorrida em 79 d.C. e que ameaça Nápoles novamente (leiaaqui).
Rua surgida das escavações
Herculano se situa a 8 km a leste de Nápoles. De acordo com a sua história e, como seu próprio nome indica, é a cidade fundada por Hércules. No início grega, se sujeitou à Roma por volta do ano de 307. No período de Roma Antiga era a cidade de veraneio dos Patrícios, ou seja, dos aristocratas romanos, por suas belas paisagens. Devido a isto, suas casas são ricas e suntuosamente decoradas, com grande número de estátuas e mármore.
Antes havia a suspeita de que grande parte da população de Herculano havia fugido pelo mar, mas escavações recentes levaram à descoberta de centenas de restos humanos dentro da zona portuária e, tais descobertas, vêm acompanhadas de estudos que mostram que a cidade foi envolvida por nuvens de gases tóxicos e depois submergiu sob montes de lavra vulcânica de baixa temperatura. Assim, apenas os habitantes que partiram em direção à Nápoles, aos primeiros sinais da erupção, puderam sobreviver ( e é o que mostra o livro de Rochester, com as famílias patrícias de Caio ou Metela, por exemplo). Os que hesitaram abandonar seus lares, foram tragados pela tragédia. Presos de pânico, tentaram escapar da fúria vulcânica utilizando barcos atracados no cais, mas a violência das ondas tornou todos seus esforços inúteis.Desesperados, se refugiaram dentro de edifícios ao redor do porto, mas as emanações venenosas do Vesúvio levou a que morressem asfixiados. Seus esqueletos, mais de duzentos, em geral super bem conservados, constituem uma preciosa documentação para o estudo dos hábitos de vida, das doenças e alimentação do povo daquela época.
Nos dias subsequentes à erupção, a lama vulcânica invadiu as ruas, atingindo - às vezes, uma altura de 16 metros.Retrocede, em seguida, lentamente, se solidificando em uma espécie de rocha vulcânica composta de cinzas, que preservou as matérias orgânicas como a madeira, o couro, o papiro, as fibras vegetais ou alimentos. Este perfeito estado de conservação explica o enorme interesse que apresenta Herculano para estudos das casas romanas e seu mobiliário e permitiu, também, a descoberta de documentos e manuscritos literários.
Vejam só como os seres humanos vitimados na tragédia, foram encontrados durante as escavações: a lama vulcânica, ao secar, deu-lhes aspecto de verdadeiras estátuas:
Acima, "Jardim dos Fugitivos", Pompeia
"Estátua" humana em Pompeia
Os restos de Herculano ficaram melhor conservados do que os de Pompeia: a causa é justamente a lama: (Pompeia, mais afastada do mar, ficou coberta por cinzas, diferente de Herculano, coberta de lama). As imagens abaixo não foram separadas: são das duas cidades. O motivo de não ter identificado cada uma é que, após as imagens, estão postados vídeos de Herculano e de Pompeia, devidamente identificados.
Interior de uma casa patrícia
E mais:
Termas:
A Fonte de Hércules, abaixo:
Mais a respeito das escavações, você pode saber acessandoAQUI.
Finalizo redirecionando o leitor do blog para o Youtube, a fim de que veja alguns vídeos a respeito:
1- filme "Os Últimos Dias de Pompeia",baseado no romance de Lytton (em inglês, com legendas em português).
2 - Documentário "Pompeia à sombra do Vesúvio, grandes tesouros da Arqueologia (em português).
3 - Museu Virtual de Arqueologia de Herculano:
4 - Documentário: Pompeia, a cidade redescoberta (legendas em português)
Nem só de literatura russa vive esta blogueira: assim, deixo o meu outro blog para a literatura russa e este para livros em geral, já que adoro livros, tanto romances(não sou chegada nos best-sellers), livros sobre economia (minha profissão), história(meu hobby), política (minha paixão), espiritualismo (minha necessidade), e por aí vou, não conseguindo ficar sem um livro por perto.
Hoje posto um livro ocultista, considerado, mesmo, um clássico do ocultismo. Zanoni, de Bulwer Lytton. Excelente. Li já faz muito tempo, adorei. Ele é um misto de ficção e história real. Ambientado no século XIX, na Itália e na França, exatamente à época da Revolução Francesa. Não posso dizer que a obra tenha um tema central, mas vários temas que convivem, lado a lado, tipo a alquimia, sociedades secretas, morte, amor, espíritos, tudo isto vivido por personagens que simbolizam paixões, medos, fé, instinto, coragem covardia, ambição, audácia, heroísmo, bondade, ou seja, repletos de sentimentos contraditórios, que nos transportam numa viagem pelo mundo destes personagens. O autor é primoroso nas descrições, sem ser cansativo. Zanoni, o personagem central, é um alquimista, que consegue prolongar sua vida por muitos séculos, para - no final - desistir de seus poderes sobrenaturais e o faz por amor a uma cantora de ópera.
Do mesmo autor, temos os livros "Os últimos dias de Pompéia" e "Vril, o poder da raça futura".
Agradeço ao amigo que corrigiu uma informação que eu havia postado, sobre Lytton ser, também, autor de "O Filho de Zanoni", obra escrita por František Lorenz.