quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Prêmio Planeta de Literatura


Prêmio Planeta de literatura vai para romance sobre dom Pedro 1º. O escritor espanhol Javier Moro evoca a figura do imperador do Brasil dom Pedro 1º, que mostra como um homem a frente de seu tempo, em seu romance "El Imperio Eres Tú", com a qual ganhou esta noite o 60º Prêmio Planeta.Continue a ler aqui.

Página oficial de Javier Moro:
http://www.javiermoro.com/index.html
fonte: http://www.amigosdolivro.com.br/

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Romance perdido de Saramago chega às livrarias

 Isto é que é notícia boa: acabo de ler via Twitter e estou repassando aos amigos do blog:
O romance Claraboia, escrito nos anos 50 pelo escritor português José Saramago (1922 - 2010), acaba de chegar às livrarias do Brasil e de Portugal pela editora Caminho.
Leiam  mais a respeito deste livro Aqui.
SINOPSE
 «Claraboia é a história de um prédio com seis inquilinos sucessivamente envolvidos num enredo. Acho que o livro não está mal construído. Enfim, é um livro também ingénuo, mas que, tanto quanto me recordo, tem coisas que já têm que ver com o meu modo de ser.» (José Saramago)
  Estou procurando o livro em todas as livrarias, mas - até agora, só o encontrei na própria editora Caminho. Aqui vai o link para os interessados: 
http://www.editorial-caminho.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=53717 
São  400 páginas, a 18,50 euros, fora o frete.
Nas livrarias do Brasil ainda não encontrei, só existe formato digital.
Vamos aguardar!
 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ensaio sobre a cegueira (José Saramago)

Este foi um dos melhores livros que já li em toda a minha vida, na categoria romance. Sou fascinada pela literatura russa e dificilmente consigo gostar tanto assim de outros romances que não sejam de escritores russos. E de Saramago eu gosto tanto quanto, ou pelo menos, quase tanto. Não gosto de ler simplesmente para passar tempo, como quem assiste uma novela da Globo...O romance, para me despertar a atenção, tem que mexer comigo ou me levar à reflexão. E os livros de Saramago cumprem estas duas funções, essenciais para me atrair. E "Ensaio Sobre a Cegueira", de todos, foi o que mais me prendeu. 
O livro, posso afirmar sem medo de ser exagerada, é cinematográfico, ou seja, você o lê com a sensação de estar assistindo a um filme: você "vê" os personagens, as cenas, de tão fantástica é a forma de narrar do autor. À medida em que você vai se prendendo à leitura, você vai "entrando" no livro, e tendo a sensação de estar participando das cenas, de ser um dos personagens, aquele que o autor não citou explicitamente, mas que está lá, sofrendo as mesmas dores e angústias decorrentes desta cegueira inusitada e branca. Ao fim da leitura, tive a sensação de ter estado cega, também. E quem sabe não estou presa daquela cegueira branca, de quem não vê as coisas como elas realmente são?
"Se podes olhar, vê, se podes ver, repara"
Esta epígrafe, como escreve Arthur Nekrovski na orelha do livro, 
"resume a empreitada do escritor, como de cada leitor.Não se trata só de reparar o significado das coisas, mas também de proceder à reparação do que foi perdido, ou mutilado - 'uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos'".
 O enredo do romance gira em torno de uma epidemia de cegueira, diferente das cegueiras habituais, quando o cego vive na escuridão: nesta cegueira, o cego vivia numa brancura leitosa. Tudo começou quando um motorista, parado no sinal, subitamente se descobre cego, numa "treva branca", que vai se espalhar pela cidade, numa epidemia, que levará o governo a tomar a medida mais cômoda (como geralmente acontece com os governos atuais, alheios ao ser humano): decretar uma quarentena a todos os contaminados e aos que com eles tiveram contatos. Nesta quarentena, os cegos, "reduzidos à essência humana" vão viver na "verdadeira treva", pois só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são". Durante a quarentena forçada, os que conseguirem trazer à tona sua capacidade de solidariedade, que conseguirem abafar o egoísmo humano em prol da luta pela sobrevivência no inferno a que foram relegados, numa tentativa de reaprender a vida, conseguiram  recuperar a lucidez e resgatar o afeto,
"tarefas do escritor e de cada leitor, face à pressão dos tempos e ao que se perdeu - 'uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".
Saramago traça, alegoricamente, o que se passa nos tempos modernos, tempos de egoísmo, de ganância, consumismo, enfim, em tempos de falta de valores como o nosso tempo, quando o capital ocupa o lugar do Ser Humano, as necessidades do mercado estão acima das necessidades da vida, os políticos são omissos e, muitas vezes, sem moral.

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." (José Saramago)
  O livro é da Cia.das Letras, numa edição digna de  Saramago. Com 310 páginas, custa R$ 46,00, mas fiquem de olho nas promoções, para isso use o www.bondefaro.com.br

Em 2008 virou filme,produzido  pelo Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles e vencedor do Prémio Nobel. O filme abriu o Festival de Cannes de 2008.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Jacob Von gunten, um diário (Robert Walser)

Infelizmente, Robert Walser, escritor suiço do século XX, é ainda quase desconhecida por nós, o que é uma pena, já que Walser possui, entre seus grandes admiradores, nomes como os de Elias Canetti, Thomas Mann e o grande Kafka que o lia regularmente e tinha entre seus livros prediletos o do presente post. 

Eu, particularmente, entrei em contato com este escritor através de Elias Canetti, ao ler seu livro "A língua absolvida". Neste livro, o autor falou tanto de Walser, que logo me despertou a curiosidade em conhece-lo e estou fascinada.

Jacob Von Gunten é um romance, escrito em forma de diário, dos mais singelos que já li. Acostumada que estou com a literatura russa, que gira em torno de temas pungentes e fortes, a princípio achei que a obra seria desinteressante e, com vergonha admito, até tola. Mas logo vi que a tola era eu. O livro, através de Jacob, o personagem que lhe dá o título, e de outros personagens de igual singeleza, nos leva a refletir sobre os valores da vida moderna, sobre a arrogância, a intolerância  e o egoísmo. 

Jacob, rapaz de origem supostamente nobre, ingressa no Instituto Benjamenta, uma escola dedicada à formação de criados, onde procuravam incutir paciência  nos jovens.E Jacob quer se "auto-educar", perder seu orgulho, apreender a ser útil. 
"Desejoso de aprender a servir, Jacob busca espelhar-se sobretudo no colega Krauss, modelo de humildade e subserviência. O aprendizado, no entanto, se revela penoso e muitos são os mistérios que envolvem o instituto  e sua enigmática direção".

O livro saiu pela Compainha das Letras e custa pouco mais de R$30,00. São 148 páginas de puro prazer da leitura. Deixo para você, que visita este blog, um trecho da obra obtido no site da própria editora. 

sábado, 30 de abril de 2011

O primeiro homem - Romance inacabado de Albert camus

O primeiro Homem - trata-se de um romance no melhor estilo autobiográfico do genial Albert Camus. Sua leitura, a princípio, me pareceu, de início, uma coisa estranha, uma espécie de rascunho, cheio de anotações deixadas pelo autor, tipo "lembretes" para a revisão final, que nunca chegou a ser feita: Camus faleceu, num acidente de carro, antes de concluir este livro e nós nunca saberemos se ele o concluiria ou se o deixaria de lado, como já fez com "A morte feliz".Apesar de inconcluso, é um livro que se lê de um só fôlego, de tanto que prende nossa atenção.Foi com enorme interesse que percorri a vida de Jacques Cornery(o próprio Camus), desde sua infância,  em um bairro pobre de Argel, órfão de pai, criado por uma família severa e ignorante:  sua mãe analfabeta e alheia ao mundo, em decorrência de um processo de surdez; sua avó severa, exigente, pouco afetiva;seu tio, um toneleiro, também deficiente auditivo, que conversava por mímicas, e que levava o menino às suas pescarias, ao seu trabalho, enfim, que lhe proporcionou agradáveis lembranças da infância., Um professor  desempenhou papel crucial na vida de Jacques, ocupando, em determinada época, o lugar do pai. 
Todo o livro  é a busca  da memória deste pai, morto em idade inferior à do personagem central,bem como a busca de "uma civilização, cujo frágil equilíbrio estava sendo quebrado quando Camus morreu, em plena guerra de independência da Argélia".

Interessante notar a capacidade do menino de se "auto-formar", se "auto-educar", a partir dos exemplos da mãe e avó, de honestidade e trabalho.
Determinados temas e personagens que surgem no livro nos reportam à outras obras do autor, tudo nos levando a refletir sobre a condição humana, formada pelo absurdo, desespero e indiferença.
O primeiro homem é, em suma, a gênese do autor e de sua ética da revolta. É o sol da Argélia lhe ensinando que a "história não é tudo", servindo, como diz o prefácio do livro, de "contraveneno para os rancores despertados por sua própria história".

Apesar de autobiográfico, Camus deixa clara a impossibilidade da memória de recompor todos os fatos:
"A memória dos pobres já é por natureza menos alimentada que a dos ricos, tem menos pontos de referência no espaço,considerando que eles raramente saem do lugar onde vivem, e tem também menos pontos de referência no tempo de uma vida uniforme e sem cor. Só os ricos podem reencontrar o tempo perdido. Para os pobres, o tempo marca apenas os vagos vestígios do caminho da morte".
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