sábado, 7 de janeiro de 2012

LIVROS ARTIGO DE LUXO


Sou uma viciada em livros; aliás, este é meu único vício, já que não bebo e há anos parei de fumar.
Leitora compulsiva, não posso passar na porta de uma livraria que entro depressa, sempre a procura de algo que me agrade. A internet alimenta meu vício,dado o grande número de livrarias online.

No entanto, não é pelo fato de ser uma incorrigível viciada que deixo de achar que, no Brasil, os livros estão caros demais. Por ser economista, fico tentando encontrar na teoria econômica fatores que justifiquem tais preços absurdos: o brasileiro não tem o hábito de ler e sua renda é baixa, logo - não há significativa demanda por livros. Acrescenta-se ao problema de mercado a elevada carga tributária do país, em torno de 36% do PIB, uma das maiores do mundo.

Argumento lógico, mas que rapidinho se mostrou insuficiente: se isto fosse justificativa válida, como se explicaria o fato de a Editora Abril, a Nova Cultural, a Editora Globo, dentre outras, conseguirem lançar clássicos da literatura a preços baixíssimos nas bancas de revistas?

Lembro-me que, em 2002 foi lançada a coleção "Obras Primas", pela Nova Cultural.Cada volume saía a R$ 11,00, numa edição primorosa, capa belíssima, tudo de primeira (ver foto da abertura deste post). Na mesma época, o livro Crime e Castigo, de Dostoievski (em um único volume), custava cerca de R$ 35,00, numa encadernação bastante inferior (esta obra está  a venda por  R$ 69,00 pela Ed.34 ). Como se explica isto?
Em 2011  a Editora Abril lançou os "Clássicos da Literatura", numa edição, também, muito caprichada e super barata: em torno dos R$14,00! Pegando como exemplo a obra "O vermelho e o negro", Stendhal: nas livrarias ela custava "módicos"R$ 79,00!!!
Pior, ainda, é quando você paga caro por uma edição descuidada: isto aconteceu com uma versão que tenho de "Guerra e Paz", publicado em um box, com 4 volumes, pela Ediouro, através do Selo Prestígio. Uma droga: a falta de revisão deixou passar erros absurdos, "engoliu" frases inteiras. E paguei super caro na época. É  o famoso "bonitinho, mas ordinário". Veja a foto abaixo:

A mesma falta de qualidade encontrei na versão da obra "Oblomov"- clique aqui para conhecer - da Editora Germinal. A edição está repleta de erros, tanto ortográficos, quanto de digitação e seu preço chega até a  R$ 49,00(com encadernação vulgar, brochura). E tem mais: traduzida do francês, parece que a Editora copiou uma edição do início do século XX: assim, nem custo com tradutor ela teve.


Comparando a situação do Brasil com a da Rússia, dá até tristeza. Compro muitos livros diretos da Ozon.ru e vale a pena, mesmo considerando o valor do frete. As encadernações são belíssimas, a qualidade gráfica maravilhosa. O preço médio dos livros gira em torno de R$ 11,00.

Na época do comunismo o preço ficou congelado por todo o período do regime, tanto que vinham grafados na contracapa. Eu mesmo tenho destes livros. O comunismo acabou e os russos acharam que os preços tiveram uma elevação absurda. Concordo: tenho livros daquela época cujos preços vão de 1,5 rublos a 5 rublos. Considerando que o rublo está cotado em R$ 0,5804, dá para ver o quão barato eram; portanto, realmente, tiveram uma elevação bem grande ao passarem para R$ 11,00. Mas comparado com o Brasil, isto ainda é quase de graça. E olhem só a beleza das edições:
O Mestre e a margarida
A coleção das obras de Dostoivski, em 10 tomos, por apenas R$ 226,00 (agui gira em torno dos 600,00 ):
Monteiro Lobato já dizia, muito sabiamente, que "um país se faz com homens e livros". Considerando que isto é a mais pura verdade, deveria haver um esforço conjunto entre editoras e governo: o governo, no sentido de fazer a tão esperada reforma tributária, que não tem jeito de ser parida...E os editores, reduzindo sua ganância. Acho que esta seria a única forma de atender a uma possível demanda reprimida...Livro mais barato, povo lendo mais. Sem esquecer que na rede existem centenas de títulos a disposição. Se medidas de redução de preços não forem tomadas com urgência,acredito que muita editora vai ter que fechar as portas a médio prazo e isto não é do interesse nem deles, editores, nem dos apaixonados por livros, uma vez que livro eletrônico não supre as necessidades do verdadeiro viciado em livros...