quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Gonzaguinha vive!


De Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. não há muito o que falar: quem não conhece o grande compositor e intérprete brasileiro, filho legítimo do rei do baião?

"Venho de Odaléia uma profissional daquelas que furam cartão e de vez em quando sobem no palco; ela cruzou com meu pai e de repente eu vim" (Gonzaguinha)
A mãe Odaléia morreu cedo, de tuberculose (doença que o próprio Gonzaguinha chegou a ter) e ele foi criado pela Dina, aquela da música:
Diz lá pra Dina que eu volto
Que seu guri não fugiu
Só quis saber como é
Qual é
Perna no mundo sumiu...

"Dina (Leopoldina de Castro Xavier) e Xavier (Henrique Xavier), baiano do violão das calçadas de Copacabana, do pires na zona do mangue, morro de São Carlos, foram eles que me criaram e por isso eu toco violão". (Gonzaguinha)
Não vou me prender muito em dados biográficos do cantor, já que existe um site com tudo isto: http://www.gonzaguinha.com.br/


Ao fazer este post tinha em mente um propósito bem egoísta: o de  matar a saudade que sinto deste cantor que adoro, o que me leva a me ater mais às partes da biografia que deem chance de utilizar vídeos de suas canções como ilustração. Acho que, assim, atendo melhor ao meu propósito...Dentro desta perspectiva, continuo com o relato:
Em 1973, Gonzaguinha participou do programa Flávio Cavalcanti apresentando a música Comportamento Geral num dos concursos promovidos pelo programa. Os jurados ficaram apavorados com a letra que dizia
 "Você deve aprender a baixar a cabeça e dizer sempre muito obrigado/ São palavras que ainda te deixam dizer por ser homem bem disciplinado/ Deve pois só fazer pelo bem da Nação tudo aquilo que for ordenado".

(isto em plena ditadura militar,durante o AI5(*)!



 Apesar de ter tido problemas com a censura, esta música fez com que Gonzaguinha saísse de seu quase anonimato.
" Como era de se prever naqueles anos de chumbo, a divulgação da música logo foi proibida em todo o território nacional e Gonzaguinha "convidado" a prestar esclarecimentos no DOPS. Seria a primeira entre muitas visitas do compositor ao orgão público. Para gravar 18 músicas, Gonzaguinha submeteu 72 à censura - 54 foram vetadas!"
"Apesar de toda a perseguição, Gonzaguinha nunca deixou de divulgar seu trabalho: quer seja em discos onde driblava os censores com canções alegóricas, quer seja em shows onde, além de cantar as músicas que não podiam ser tocadas nas rádios, Gonzaguinha não se continha e exprimia suas opiniões e sua preocupação com os rumos que a nação tomava."
Em 1976, gravou o LP Começaria Tudo Outra Vez. O disco, de acordo com o próprio autor, representou a capacidade de voltar ao início da carreira, retomar a espontaneidade perdida e "assumir a coerência de um trabalho que vem se estendendo há muito tempo"

A partir de então, sua carreira foi se sedimentando cada vez mais e, "em toda essa trajetória, Gonzaguinha demonstrou, ao lado de qualidades artísticas indiscutíveis, uma grande coerência de idéias sobre a arte, a vida e a dimensão política do homem".

"É somente através do trabalho da comunidade que nos vamos conseguir realizar alguma coisa, somente o trabalho conjunto e o respeito ao trabalho que vai nos levar aquilo que nos queremos. Uma melhor qualidade de vida. E nos queremos o melhor. É ou não é?" (Show em Exu em 1989).

 No auge de sua carreira, no auge de sua vida, sua voz foi calada por um caminhão que cruzava a pista por onde passava o carro do cantor. Era 29 de abril de 1991,no quilômetro 30 da BR-280, entre os municípios de Renascença e Marmeleiro, na região sudoeste do Paraná e a cerca de 420 quilômetros de Curitiba.

Sua última entrevista e um resumo de sua vida:



Mas Gonzaguinha está vivo, através de sua obra, maravilhosa, eterna. Termino a postagem com estas imagens que, quando vi pela primeira vez, há anos atrás, chorei de emoção:



 obs: no vídeo, em primeiro plano, Daniel Gonzaga, filho do primeiro casamento de Gonzaguinha e, também, assim como pai e avô, cantor e compositor.

Se você quiser saber mais sobre a vida e obra deste gênio da música brasileira, procure o  livro  "Gonzaguinha e Gonzagão: Uma história brasileira", biografia escrita por Regina Echeverria.
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 Notas da Milu
(*) Ato Institucional n.5, de 13/12/6/, durante o governo do Gen.Costa e Silva, foi a expressão mais refinada da ditadura, dando poderes praticamente absolutos ao regime militar.

Fontes:
www.youtube.com
http://books.google.com.br/

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pensamentos Logosóficos

Começo justificando o post: não pertenço à Logosofia, não estou fazendo propaganda, mas ganhei um calendário da Fundação Logosófica e, confesso, me encantei com os pensamentos nele contidos. Se encaixam perfeitamente ao estado caótico do mundo moderno, com seres humanos indiferentes aos problemas que atingem a maioria; com falta de vontade política para resolver problemas cruciais para grande parte da população; com pessoas se deixando levar pela vaidade e, em nome de tal vaidade cometendo atos ignóbeis; seres intolerantes por toda parte; uma falta de gentileza e afabilidade, que tornam nosso mundo mais áspero e cruel; enfim, achei que cada máxima contida neste calendário  merecia ser repassada, na esperança de que os possíveis leitores do post refletissem sobre elas.Aposto que se nós as estivéssemos colocando em prática há mais tempo, Ruy Barbosa não teria se manifestado da forma cética como se manifestou:



De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.
Quem sabe o próprio Ruy, que não foi tão imune assim à maracutaias e gambiarras, teria  se poupado um pouco, tido mais ética e não praticado atos que favorecessem ou privilegiassem banqueiros e amigos, nos moldes do FHC. E Ruy fez isto (veja livro "Os Cabeças de Planilha", de Luís Nassif). Em 20 de janeiro de 1891, Rui Barbosa deixou o cargo de ministro da Fazenda, para dirigir companhias que haviam sido criadas durante o encilhamento e das quais era sócio junto ao Conselheiro Mayrink(um financista).

Agora, aos pensamentos sem mais delongas...

INCONSTÂNCIA X PERSEVERANÇA

"A Natureza e a própria vida nos dão um exemplo de perseverança, ao se realizarem ininterruptamente nelas os processos que fazem possível a existência universal humana".
INADAPTABILIDADE X ADAPTABILIDADE
"A adaptação é um poder consubstancial com a natureza física e psíquica do homem, que lhe permite suportar os maiores sofrimentos e incômodos sem perder as prerrogativas de seu gênero"
VERBORRAGIA X CONCISÃO
"As palavras não devem ser esbanjadas, porque podem faltar quando for necessário que seu peso influa em alguma circunstância decisiva da vida".

CURIOSIDADE X CIRCUNSPEÇÃO
"A circunspeção consiste em passar do superficial ao profundo das coisas, do intranscendente ao importante e transcendente, da curiosidade ao interesse que o fim procurado justifica".

DESOBEDIÊNCIA X OBEDIÊNCIA
"O acatamento inteligente do indivíduo a normas, regras, deveres e leis contribui para estabilizar a harmonia na convivência humana".

INDISCRIÇÃO X DISCRIÇÃO
"A discrição é a chave de segurança que fecha a porta das confidências mais doces e sensíveis, só pronunciadas dentro de nós mesmos".
ASPEREZA X AFABILIDADE
"A afabilidade é o mel que, derramado sobre o vinagre psicológico, melhora seu sabor".
INTOLERÂNCIA X TOLERÂNCIA

"A tolerância termina quando começa o abuso".
VAIDADE X MODÉSTIA
"A modéstia é virtude que surge espontânea da alma, permitindo que as pessoas se sintam cômodas e seguras, seja qual for o lugar onde se encontrem".
INDIFERENÇA X INTERESSE
"A vida não  deve ser indiferente a nada. A morte, sim, é indiferente a tudo".
FALTA DE VONTADE X DECISÃO
"Vontade é a força psíquica que move as energias humanas e põe em atividade as determinações da inteligência para o bem, defesa e superação do indivíduo".
"Desde que o homem começou a ter as primeiras noções de moral, vem-lhe sendo repetido que deve ser bom, que deve elevar sua vida e ser melhor. Entretanto, foi-lhe ensinado positivamente como fazer para alcançar semelhante desiderato? A resposta, por demais sugestiva, é oferecida pelo estado de incrível desorientação em que hoje ele se encontra. Não lhe foi ensinado como ser melhor".

A Trégua (Mario Benedetti)


Acabo de adquirir este livro, o que me impede de deixar, aqui, meus comentários a respeito, me utilizando, portanto, para o post de hoje, do conteúdo de suas orelhas e contracapa . Pelo que vi e ouvi a respeito, o livro promete.
Publicado em 1960, este é o mais famoso romance do uruguaio Mário Benedetti e uma das obras mais importantes da literatura latino-americana contemporânea. Escrito em formato de diário, com um texto incisivo, muitas vezes irônico, o livro conta a história de Martín Santomé,' um homem maduro, de muita bondade, meio apagado, mas inteligente'. Prestes a completar 50 anos, viúvo há mais de vinte, Santomé mora com os três filhos. Não se relaciona bem com nenhum deles, tem poucos amigos e mantém uma rotina cinzenta, sem sobressaltos. No diário, conta os dias que faltam para a aposentadoria: ele espera que, assim que se livrar das obrigações, sua vida mudará completamente, mesmo sem ter ideia do que fará  depois que não tiver mais seu trabalho.
Seu destino, no entanto, mudará quando conhecer Laura Avellaneda, uma jovem discreta e tímida contratada para ser sua subalterna. Com ela, Martín Santomé voltará a conhecer o amor, numa luminosa trégua para uma vida até então taciturna e opaca. Inicialmente, ele reluta em se envolver com ela, temendo o que os outros irão pensar e acreditando estar muito velho para um novo relacionamento. Mas não resiste... Será que esta relação irá adiante?

"A Trégua é muito mais do que uma história de amor. É um belíssimo questionamento  sobre a felicidade  e um retrato, as vezes bem humorado, as vezes ferino, dos difíceis relacionamentos humanos."
Algumas palavras sobre o autor:


Foto extraída da contracapa do livro Perplejidades de fin de sieglo

Benedetti nasceu em Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920 , tendo vivido até 17 de maio de 2009, quando faleceu em Montevidéu. Foi poeta, escritor e ensaísta, sendo considerado um dos principais escritores uruguaios. Iniciou a carreira literária em 1949. 
 Entre 1938 e 1945 morou em Buenos Aires. Ao retornar a seu país publica seu primeiro livro de poesias - "La Víspera Indeleble".
Começa a aparecer em 1956, ao publicar "Poemas de Oficina", uma de suas obras mais conhecidas, mas a consagração veio mesmo foi em 1959, com a publicação do livro de contos "Montevideanos". No ano seguinte lançou "A trégua", que lhe rendeu fama internacional.

Por questões políticas, abandonou o Uruguai em 1973, ficando exilado por 12 anos, período em que morou na Argentina, em Cuba, Peru e na Espanha.

Ninguém melhor para falar sobre este autor do que ele próprio: veja o vídeo de Benedetti entrevistado pela Telesur. e você saberá um pouco mais de sua biografia.


Para ver mais, clique aqui: Telesur

Mais uma entrevista do autor, na TV argentina:
 

Finalizo com um programa da RTVE, " Em Memoria de Mario Benedetti:





Depois deste "aperitivo", mãos a obra: parto para a leitura do livro, publicado pela Ed.Alfaguara, custando cerca de R$ 40,00 (busque no Bondfaro, que você vai encontrar preços mais em conta).

Fontes: www.youtube.com

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Egípcio (Mika Waltari): Considerações sobre o livro e vídeo do filme homônimo


O livro  conta a vida de um médico egípcio -Sinuhe- médico do Faraó e narrador da história. Abandonado quando criança, foi criado por pais adotivos. Tendo ingressado na corte do faraó Amenhotep IV (Akhenaton),ele conhece uma mulher bela e ardilosa, por quem se apaixona de tal forma, que perde todos os seus bens e a própria dignidade moral, fugindo de seu país. Trava amizade com um dos comandantes do Faraó - Horemheb -  que dirige sua carruagem passando por cima das mulheres, crianças e velhos das terras conquistadas.
Sinujhe se torna espião do exército egípcio, viajando, então,  para as terras da Babilônia, Creta, Gaza, Hati e Síria.O autor, um finlandês, faz nesta obra a reconstituição da história egípcia de mais de um milênio antes de Cristo.Narra fatos reais em estilo literário, abrangendo todo o mundo conhecido a época, nos levando a 'viajar' com ele por lugares fascinantes:
 "Falarei agora de Creta e do que vi acolá;(...).Em parte alguma do mundo eu vi algo tão estranho e belo como Creta, por mais verdadeiro que seja haver eu viajado por todas as terras conhecidas.Assim como a espuma cintilante arrebenta na praia, como as bolhas fulguram em todas as cinco cores do arco-íris, como o reverso das conchas fulge expondo a madrepérola, assim Creta se ostentou diante dos meus olhos".

Outros personagens são,  ainda, Neferneferner, "com quem as irmãs do pecado jamais poderiam competir"; Minea, a virgem votada aos deuses e que dançava nua diante dos touros sagrados; Nefertiti, "cuja beleza perigosa em demasia,por estar combinada com a malícia e a inteligência aguda"; o escravo  Kaptah Kaketamon e a irmã do Faraó Akhnaton.
A história do Faraó é contada com boas doses de intrigas, morte, guerra, paixão, amor e luta religiosas, ao mesmo tempo em que Sinuhe vai revelando sua vida, ora radiante, ora sem esperanças.

Ficção e fatos reais interagem o tempo todo, tendo como foco a corrupção e os valores humanos, dando ao leitor o verdadeiro prazer de uma boa obra literária.A editora é a Itatiaia, aqui das Minas Gerais.São 543 páginas por R$ 50,00 .

Minha opinião a respeito da obra: é boa, mas sou suspeita - viciada em literatura russa, custo a achar uma obra realmente fantástica, tanto quanto acho um Dostoievisk ou um Tolstoi. Ou como acho alguns franceses, a exemplo de Camus. Ou - o maravilhoso Saramago. Trata-se de um romance histórico, temática que aprecio bastante. O livro é bom,  leitura te prende e isto é tudo.

Aproveito para deixar, aqui, o filme homônimo, baseado nesta obra de Waltari:



Sobre o Autor:


Mika Waltari  nasceu em Helsinki. Por muito tempo foi  quase desconhecido fora da Finlândia, sua pátria, até o lançamento de "O Egípcio". Escreveu uma certa quantidade de peças teatrais, poemas e novelas, fazendo sucesso em seu país. Para fazer este livro ele empreendeu muitas pesquisas e, finalmente, depois de 1945, estourou", sendo o livro traduzido em diversos idiomas.
 
fontes: 
www.youtube.com
www.google.com.br

Áudio livro em francês: Caligula (Albert Camus(

Você estuda francês? Então este post é mesmo para você! Baixe  agorinha mesmo. O nome do autor dispensa maiores comentários. Albert Camus é um grande escritor, dramaturgo, ensaísta, jornalista, filósofo e ativista político. Francês, nascido na Argélia.
Caligula é uma peça teatral escrita por Camus e encenada em 1938. Sua primeira publicação foi em 1944, pelas edições Gallimard, tendo sofrido, posteriormente, inúmeros retoques. Faz parte, ao lado de "O Estrangeiro" e de "O Mito de  Sisifo" do que foi denominado por Camus de "Ciclo do Absurdo". Calígula foi um imperador romano, normalmente tido por devasso, dono de uma natureza extravagante. ; mas o Caligula de Camus ganha outra dimensão, estando sempre em busca do impossível.
No Brasil esta peça foi encenada por Thiago Lacerda, em 2011 e neste mês de janeiro de 2012.

PARA BAIRAR O ÁUDIO LIVRO, VOCÊ SERÁ REDIRECIONADO
PARA O SITE LITERATURE AUDIO.COM:


http://www.litteratureaudio.com/livre-audio-gratuit-mp3/suetone-caligula.html


fonte: 
www.literatureaudio.com

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Direto da Croácia: A magia do piano de Maksim Mrvica — The Piano Player (2005)

Maksim Mrvica (pronuncia-se Mrvitsa) é um pianista croata. Suas músicas são maravilhosas. Nascido em Šibenik (pronúncia:chibinik, uma cidade histórica de seu país(foto a seguir).
Maksim possui muito prestígio na Croácia, tendo alcançado, também, reconhecimento internacional.
Ele serve para desmistificar o preconceito contra aquela região da Europa: a Sérvia e a Croácia possuem talentos com  grande sensibilidade e a prova está neste álbum, que contém as seguintes faixas:. 
01 The Flight Of The Bumble-Bee
02 Grieg’s Piano Concerto In A Minor
03 Exodus
04 Claudine
05 Wonderland
06 Handel’s Sarabande
07 Rachmaninoff’s Rhapsody On A Theme Of Paganini
08 Hana’s Eyes
09 Chopin’s Revolutionary Etude in C Minor
10 Cubana
11 Croatian Rhapsody
12 Dance Of The Baroness
13 Cubana Cubana



PARA BAIXAR O ÁLBUM, COPIE E COLE O LINK A SEGUIR NA
BARRA DE SEU NAVEGADOR:

http://migre.me/lHk03



Fonte: http://musicstorm.org/

Quem foi Plínio, o Jovem (Plinius)

 Representação de Plínio na Catedral  de Como (Itália) (foto abaixo)

Quando li o livro "Os Últimos Dias de Pompéia", de Edward B.Lytton, me deparei várias vezes com referências a Plínio, O Jovem, poeta eminente da época áurea de Pompeia. Em algumas versões e publicações a ele se referem como Plínio, o Moço.Ele foi testemunha da tragédia que soterrou não só Pompeia (79 d.C), mas outras cidades no entorno do vulcão Vesúvio, sob a lama da sua erupção. Plínio deixou, como legado histórico, entre várias cartas e documentos, a narrativa do drama pompeiano. Como sou curiosa, terminada a leitura do citado livro, saí em busca de algo sobre Plínio. Achei algum material na internet e no livro Quem Foi Quem na Roma Antiga, de Diana Bouwder. Achei interessante, daí estar compartilhando com o leitor(ou o futuro leitor) deste blog.
 Plínio, o Moço, foi um homem das letras, orador insígne, jurista, político e administrados imperial da época de Trajano. Estima-se que tenha vivido no período  entre os anos 61 e 112 a.C. Membro da aristocracia municipal de Como(comuna na região da Lombardia, foto abaixo), seu nome era Caio  Plínio Cecílio Segundo (Caius Plinius Caecilius Secundus)

Era filho adotivo de seu tio Plínio, o Velho.Essa ligação com o pai adotivo, de família de nível senatorial, aliada a uma excelente educação, propiciou a ele o ingresso na mesma carreira senatorial e a prática das leis.Sua primeira acusação e sua primeira pretoria(1) ocorreram no ano de 93 d.C., exatamente no início do reinado de terror de Domiciano (2). A partir do ano 100 d.C. começou a progredir, atingindo o cargo de Cônsul substituto e de áugure, sacerdote que, entre os antigos romanos, adivinhava o futuro, inferindo do voo e do canto das aves os desígnios dos deuses. Alguns anos depois é nomeado governador da Bitínia, tendo por encargo a solução das tensões, principalmente as econômicas, da região. Ele possuía excelentes relações com o imperador Trajano, que lhe deu uma província onde, provavelmente, Plínio faleceu.Sua importância histórica se deve mais ao número de informações sobre ele obtidas através de sua vasta correspondência, do que a algum feito pessoal específico.
 Sabe-se que foi um poeta fortuito e incompetente, mas um notável e bem sucedido orador. De seus escritos ainda sobrevivem:
  1. Panegírico (na realidade, um agradecimento (gratiarum actio) por seu consulado e apresentado diante de uma audiência convidada.
  2. Nove volumes de cartas a amigos, totalizando 247 cartas, com datas meio controvertidas, provavelmente entre os anos 96 e 108 d.C.;
  3. um livro de correspondência com Trajano, abordando inúmeros assuntos: fatos históricos, atividades da corte, natureza, literatura, etc. Seu estilo é fluente e elegante, segundo críticos, que também consideram que Plínio, o Moço, era de poucas leituras e tinha falta de aptidão intelectual mais apurada, o que torna alguma de suas cartas pouco agradáveis ao leitor moderno. No entanto, as duas cartas sobre seu pai adotivo ou sua carta a Valério Máximo sobre como governar a Grécia revelam um escritor de força e um homem sensível.
Plínio estava com seu tio (ou pai adotivo) no dia da tragédia do Vesúvio, mas não o acompanhou na viagem de barco até o vulcão em erupção, que se revelaria mortal:residindo a trinta quilômetros de Pompeia, seu tio foi surpreendido pela explosão do vulcão, uma vez que, até aquela data, a única coisa que havia registrado sobre o assunto foram as marcas de queimado no topo do Vesúvio. Para saciar a sua curiosidade, mandou preparar um pequeno barco, convocou uma tripulação de nove homens e pouco antes das 5 horas da tarde pôs-se a caminho de Pompeia. Ao se aproximarem da cidade, as altas temperaturas e uma densa nuvem de fumaça fizeram com que o barco se desviasse de seu destino, vindo a aportar na vizinha Stabia. Na manhã do dia 25, antes das 7 horas da manhã, uma nova nuvem atingiu Pompeia. Quem ainda tinha sobrevivido e permanecido no local, acabou sufocado pelos gases. A nuvem prosseguiu em direção a Stabia. Os moradores perceberam-na atravessando a baía e tentaram fugir, sem sucesso: os gases vulcânicos fizeram centenas de vítimas, entre elas Plínio, o Velho (representado a seguir).

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 Notas da Milu
(1) magistrado que administrava a justiça, na antiga Roma. Cargo inferior a  Juiz de Direito.
(2) Tradicionalmente comparado a Calígula e a Nero.
(3) Cidade só mencionada por Plínio, o Velho.Ficava a 6 km ao sul de Pompeia. Veja no mapa a seguir.

 Seus escritos sobre esse dia, no qual Pompeia se afogou em cinzas, são o principal documento escrito que versam a respeito de como sucedeu tal erupção. Já em suas cartas, se encontram as melhores descrições da vida quotidiana e política da Roma antiga.Duas delas se celebrizaram por abordar o cristianismo de maneira independente, ou seja, não é um documento da igreja. Estas cartas estão no Livro X, sendo ao todo 122, trocadas com o imperador Trajano. Veja um pequeno trecho de uma destas cartas:
...[os cristãos] têm como hábito reunir-se em um dia fixo, antes do nascer do sol, e dirigir palavras a Cristo como se este fosse um deus; eles mesmos fazem um juramento, de não cometer qualquer crime, nem cometer roubo ou saque, ou adultério, nem quebrar sua palavra, e nem negar um depósito quando exigido. Após fazerem isto, despedem-se e se encontram novamente para a refeição... (Plínio, Epístola 97).
A carta a seguir, copiada do Portal Veritas, é bem interessante, também. Trata-se da epístola 10, 96:
Senhor:
É regra para mim submeter-te todos os assuntos sobre os quais tenho dúvidas, pois quem mais poderia orientar-me melhor em minhas hesitações ou me instruir na minha ignorância?

Nunca participei de inquéritos contra os cristãos. Assim, não sei a quais fatos e em que medidas devem ser aplicadas penas ou investigações judiciárias. Também me pergunto, não sem perplexidade: deve-se considerar algo com relação à idade, ou a criança deve ser tratada da mesma forma que o adulto? Deve-se perdoar o arrependido ou o cristão não lucra nada tendo voltado atrás? É punido o nome de "cristãos", mesmo sem crimes, ou são punidos os crimes que o nome deles implica?


Esta foi a regra que eu segui diante dos que me foram deferidos como cristãos: perguntei a eles mesmos se eram cristãos; aos que respondiam afirmativamente, repeti uma segunda e uma terceira vez a pergunta, ameaçando-os com o suplício. Os que persistiram mandei executá-los pois eu não duvidava que, seja qual for a culpa, a teimosia e a obstinação inflexível deveriam ser punidas. Outros, cidadãos romanos portadores da mesma loucura, pus no rol dos que devem ser enviados a Roma.


Bem cedo, como acontece em casos semelhantes, com o avançar do inquérito se estendia também o crime, apresentando-se diversos casos de tipo diferente:


Recebi uma denúncia anônima, contendo grande número de nomes. Os que negavam ser cristãos ou tê-lo sido, se invocassem os deuses segundo a fórmula que havia estabelecido, se fizessem sacrifícios com incenso e vinho para a tua imagem (que eu havia mandado trazer junto com as estátuas dos deuses) e, se além disso, amaldiçoavam a Cristo - coisas estas que são impossíveis de se obter dos verdadeiros cristãos - achei melhor libertá-los.


Outros, cujos nomes haviam sido fornecidos por um denunciante, disseram ser cristãos e depois o negaram: haviam sido e depois deixaram de ser, alguns há três anos, outros há mais tempo, alguns até há vinte anos. Todos estes adoraram a tua imagem e as estátuas dos deuses e amaldiçoaram a Cristo, porém, afirmaram que a culpa deles, ou o erro, não passava do costume de se reunirem num dia fixo, antes do nascer do sol, para cantar um hino a Cristo como a um deus; de obrigarem-se, por juramento, a não cometer crimes, roubos, latrocínios e adultérios, a não faltar com a palavra dada e não negar um depósito exigido na justiça. Findos estes ritos, tinham o costume de se separarem e de se reunirem novamente para uma refeição comum e inocente, sendo que tinham renunciado à esta prática após a publicação de um edito teu onde, segundo as tuas ordens, se proibiam as associações secretas.


Então achei necessário arrancar a verdade, por meio da tortura, de duas escravas que eram chamadas ministrae, mas nada descobri além de uma superstição irracional e sem medida. Por isso, suspendi o inquérito para recorrer ao teu conselho.


O assunto parece-me merecer a tua opinião, principalmente por causa do grande número de acusados. Há uma multidão de todas as idades, de todas as condições e dos dois sexos, que estão ou estarão em perigo, não apenas nas cidades mas também nas aldeias e campos onde se espalha o contágio dessa superstição; contudo, creio ser possível contê-la e exterminá-la.


Com certeza, sei que os templos desertos até há pouco, começam a ser novamente frequentados; que as solenidades sagradas até há pouco interrompidas, são retomadas; e que, por toda a parte, voltam a vender-se a carne das vítimas, até há pouco sem compradores. Disto pode-se concluir que uma multidão de pessoas poderia ser curada se fosse aceito o arrependimento delas."
 Quanto ao relato da catástrofe pompeiana, você podera ler AQUI.

Fontes: 
-Livro "Quem foi Quem na Roma Antiga
Diana Bowder (Círculo do Livro)
-http://portalveritas.blogspot.com/


- ttp://www.starnews2001.com.br
-www.wikipedia.com.br

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

UMA LENDA ASSÍRIA: A SABEDORIA DE AHIKAR, O ASSÍRIO

Os povos do mundo todo tem suas lendas, fábulas e contos que encantam a todos. Através deles, pode-se conhecer um pouco da história e dos costumes de um povo. A lenda deste post veio da tradição assíria, ou seja, de um reino que existia ao redor do riio Tigre, ao norte da Mesopotâmia (atual Iraque) e que dominou ao longo da história os impérios que existiam na região. Existem menções à Assíria datando de 2 mil anos a.C.
Os descendentes dos assírios ainda habitam a região: são a maioria cristã do Iraque. Sua capital original foi a cidade de Assur, atual Qal'at Sherqat, no Iraque, cidade tombada como patrimônio histórico do mundo. 

 
 Assur
 Posteriormente, sua capital mudou-se para Nínive:
As imagens acima são as ruínas do que restou de Nínive que, pelas representações encontradas, deve ter sido belíssima:
Considerações feitas, passemos à lenda:
"Ahikar, o assírio, era filho de Daniel e sobrinho de Tobias(1).Viveu no século VII a.C, na cidade de Nínive, onde desempenhava o cargo de intendente e escriba(2). na corte do rei Senaqueribe.

Em sua juventude, os adivinhos do reino lhe tinham profetizado que não teria descendência. Desde então, Ahikar se casara sessenta vezes, construíra sessenta palácios espaçosos e admiráveis para as suas esposas, acumulara riquezas e honras...mas estava para fazer sessenta anos e a predição se realizara. Ahikar desejava um filho e consultou os magos: ofereceu sacrifícios aos deuses de Nínive e, por fim, desesperado, voltou à fé que fora, em outros tempos, a de seu pai Daniel e de Tobias. Acreditou e orou e, uma noite, ouviu a voz de Iavé(3) que lhe dizia:
_ Por teres confiado os ídolos, morrerás sem filhos e sem filhas. Entretanto, aqui tens Nadan, o filho de tua irmã: adota-o, transmite-lhe a tua sabedoria e será ele o teu herdeiro.
Assim fez Ahikar. Adotou Nadan, o filho de sua irmã: entregou-o a oito  amas que o criaram, ungiu-o com óleos e emel perfumados, construiu para ele um leito macio que cobriu de tapetes... e Nadan foi crescendo como um cedro jovem. Passados alguns anos, Akhikar ensinou-lhe a arte do escriba e transmitiu-lhe toda a sua sabedoria numa série de apólogos(4):
"Meu filho", dizia ele, "o homem que não tem mulher, nem filhos, nem irmãos, é menosprezado pelos seus inimigos. Como árvores à beira de uma estrada, todos os que passam lhe dão uma patada e comem seus frutos, e o animal selvagem dele se acerca e faz com que caiam suas folhas". "Meu filho, não sejas desses a quem seus senhor diz: 'Anda para a frente', e sim daqueles a quem diz:'Aproxima-te de mim e fica a meu lado'. "Não te gabes em tuas palavras, não sejas como a amendoeira que floresce e verdeja antes das outras árvores, mas é a última a frutificar". "Não levantes a voz nem escandalizes; se bastasse uma voz potente para construir uma casa, um burro construiria duas por dia".
"Meu filho, comi losna e mirra, mas nada achei tão amargo como a indigência. Carreguei chumbo e pedras grandes, mas não encontrei nada que pesasse tanto como o opróbrio e a calúnia"...
Assim ia Ahikar educando pacientemente o espírito e o coração do sobrinho. Um dia, quando já Senaqueribe não era rei de Nínive, Ahikar foi chamado ao palácio. O novo rei, Sarhedom, queria falar ao seu escriba: fora sempre ele seu único e fiel confidente e seu mais fiel chanceler, mas os anos iam passando e Sarhedom compreendeu que Ahikar necessitava de repouso.

Para isso o havia chamado: queria saber se na Assíria haveria um homem capaz de substitui-lo. Então o velho escriba falou no filho de sua irmã e, voltando a casa, procurou Nadan e levou-o ao palácio. Sarhedom tomou-o pela mão e jurou mantê-lo a seu lado e dar-lhe honrarias, em lembrança e gratidão a Ahikar.
Passou-se algum tempo. Quando Nadan viu consolidada sua posição na corte, apropriou-se da casa e dos bens de seu pai, maltratou seus servidores, vendeu ou matou seus animais e as reses de seus rebanhos a tiro, e converteu a casa inteira num inferno, até que por fim Ahikar se viu obrigado a queixar-se ao rei. Nadan fingiu submeter-se, mas quando soube que Ahikar havia adotado seu segundo irmão, Nabuzardan, teve medo de que ele quisesse dividir a fortuna entre os dois e tramou uma intriga. Escreveu primeiro duas cartas, imitando a letra do pai. Numa, Ahikar oferecia ao rei da Pérsia e do Elam entregar-lhe o reino da Assíria sem combate. Na outra, dirigida ao rei do Egito, lia-se:
"Quando esta carta te chegar às mãos, vem ao meu encontro na planície do Sul no dia 25 do mês de Ab(5).Quando me vires acercar-me, dispões as tropas em forma de batalha, porque comigo irão dois mensageiros do Egito, a quem quero demonstrar quais são as minhas forças".
 Enquanto Ahikar se preparava para obedecer aquela ordem, seu filho fingia encontrar no chão do palácio as outras duas que escrevera primeiro e leu-as ao rei. Sarhedom não podia acreditar no que estava ouvindo, mas deixou-se convencer por Nadan e acorreu à planície das Águias a fim de comprovar com seus próprios olhos o fato. E ali estava Ahikar, cumprindo suas ordens e, ao ver acercar-se  o rei, mandou formar as tropas. Sarhedom, desesperado, deixou-se convencer por Nadan e voltou ao palácio.
O resto foi fácil, Nadan cruzou  a planície, agradeceu a seu pai, em nome do rei, a forma pela qual cumprira suas ordens e pediu-lhe que dissolvesse seu exército. Depois, mandou prendê-lo e o arrastou à presença do rei.
Quando, por fim, compreendeu que tinha sido vítima de uma intriga, Ahikar tombou ao chão, prosternou-se ante o rei e pediu, como última graça, que se cumprisse a sentença à porta de sua própria casa e que se permitisse que sua esposa, Esfagni, desse sepultura a seu corpo. As duas coisas lhe foram concedidas, e, sem perda de tempo, Ahikar indicou a Esfagni, ponto por ponto, o que desejava que ela fizesse: seria preciso obter que Nabusemak, o carrasco, e os que o acompanhavam, entrassem na casa e encontrassem nela comida e bebida em abundância. Ademais, queria que ali estivessem  mil donzelas, vestidas de linho, açafrão e roxo, para que chorassem sua morte.
Chegou o dia marcado. Esfagni saiu e recebeu a comitiva, precedida das suas mil donzelas.
Ahikar entrou com eles em sua própria casa e esperou. Pouco a pouco, os homens foram caindo ao chão, embriagados, e, então, Ahikar aproximou-se de Nabusemak, o carrasco. Fez com que ele se recordasse como havia nascido a antiga amizade que havia entre ambos: um dia, havia muitos anos, o rei havia condenado Nabusemak à morte e Ahikar, que o sabia inocente, escondera-o para salvar-lhe a vida. Quando, passado algum tempo, o rei começou a lamentar a condenação que fizera, Ahikar lhe confessou a verdade e a alegria do rei foi tão grande que, esquecendo sua desobediência, cobriu de honrarias e jóias os dois amigos.
Aquelas palavras fizeram Nabusemak pensar. Por fim, decidiu-se: mandou trazer outro condenado, fez com que vestisse as roupas do velho escriba e cumpriu-se a sentença. Na Assíria e em Nínive correu a notícia de que Ahikar, o escriba, tinha morrido. Esfagni e Nabusemak o esconderam. Construíram uma caverna pequena, subterrânea, de dois côvados(6) e meio de largura por três de cumprimento e três de altura. Deixaram-lhe comida e água para vários dias e voltaram ao palácio, a fim de se apresentarem ao rei.
Vendo-os, Sarhedom arrependeu-se da ordem que havia dado, quando confiou na palavra de um rapaz, e ordenou a Nadan que preparasse os funerais de seu pai. Nadan, porém, voltou a fazer das suas: instalou-se na casa, entregou-se a uma vida de prazeres, sem respeitar a boa Esfagni, que o criara como a um filho.
Lá de sua caverna subterrânea Ahikar ouvia os lamentos de sua gente, mas não perdia a esperança e quando Nabusemak descia para levar-lhe pão e água, pediu-lhe que oferecesse sacrifícios em seu nome e rezasse por ele.
Quando o rei do Egito soube que Ahikar tinha morrido, ficou muito contente e escreveu uma carta ao rei Sarhedom, na qual dizia que queria construir uma fortaleza entre o céu e a terra e pedia ao rei de Nínive um homem capaz de trsolver aquele e outros problemas. Se o enviado de Sarhedom correspondesse satisfatoriamente às exigências, o Egito entregaria a Nínive a importância do tributo de três anos. Em caso contrário, seria Sarhedom quem deveria entregar ao mensageiro do faraó o equivalente, isto é, o imposto de três anos do reino da Assíria e de Nínive.
 Quando Saherdom leu a carta mandou chamar todos os sábios, adivinhos e cientistas de seu reino. Em outros tempos, tais questões tinham sido sempre resolvidas por Ahikar, e a opinião de todos, portanto, foi que dessa vez se consultasse Nadan, o novo escriba, que havia herdado a sabedoria paterna. Nadan, porém, replicou, aos gritos, que nem os deuses poderiam fazer o que naquela carta se pedia, e então o rei, chorando amargamente, abandonou a sala do trono. Nabusemak percebeu que havia chegado o momento; aproximou-se do soberano e confessou-lhe toda a verdade. Sarhedom, louco de alegria, ordenou que em seu próprio carro fosse buscar Ahikar.
O velho escriba mal podia manter-se de pé: estava todo coberto de pó, de lama, a barba alcançava-lhe a altura do peito e o cabelo caía-lhe pelos ombros, em emaranhado espesso. Ao vê-lo chegar, o rei o abraçou e choraram juntos durante muito tempo. Logo Sarhedom pediu-lhe que voltasse a sua casa e repousasse durante quarenta dias, procurando recuperar suas froças. Assim foi feito. Passados quarenta dias, Ahikar voltou ao palácio e o rei leu a carta, assegurando o velho escriba que poderia atender satisfatoriamente ao faraó. Sarhedom não cabia em si de contente e encheu de presentes e jóias seu carrasco Nabusemaq.
O velho escriba tornou a recorrer à sua esposa, Esfagni. Desta vez pediu-lhe que mandasse caçar duas águias jovens, que comprasse duas gaiolas não muito grandes e que mandasse tecer uma corda de mil côvados de comprimento e um dedo de grossura. Além disso, pediu-lhe que arranjasse seis amas de leite para Nabuhail e Tebsalão, duas crianças que eram filhas de servidores seus. Os meninos e as águias deviam crescer juntos e tomar, como único alimento, dois cordeirinhos por dia.
Esfagni fez tudo quanto seu marido mandava e, passados exatamente vinte dias, Ahikar, com uma pequena escolta, se pôs a caminho. No Egito, a expectativa era grande. No dia de sua chegada, Ahikar se apresentou ao faraó e este lhe perguntou seu nome, ficando ofendido com a resposta, que foi a seguinte:
- Sou Abikam, uma das formigas do rei de N´nive. O faraó ficou encolerizado. Como se atrevia Sarhedom a mandar uma de suas formigas para dar resposta à sua carta? Entretanto, conteve-se e ordenou a Ahikar que voltasse na manhã seguinte.
Quando Ahikar chegou ao palácio encontrou o faraó vestido de algas e púrpura, rodeado de toda a sua corte, que se vestia de cor vermelha intensa.
- A quem nos podes comparar?- perguntou o rei. 
E Ahikar respondeu:
- Tu, senhor, fazes lembrar o deus Bel (7), e teus nobres, os seus sacerdotes.
A resposta satisfez o faraó, que lhe pediu voltasse na manhã seguinte.
Ao chegar, Ahikar viu o faraó vestido de branco, sentado em seu trono de ouro e rodeado pela corte,também vestida de branco.
O rei fez a mesma pergunta do dia anterior.
- Tu, senhor, recordas o Sol e tua corte os seus raios - foi a resposta do escriba.
Passou a noite. Na manhã seguinte, quando Ahikar chegou ao palácio, viu as portas do templo abertas, cobertas com panos pretos e escarlates, e, no meio, o rei, vestido de vermelho vivo, rodeado pela sua corte vestida de preto.
- Tu, senhor, pareces a lua e teus homens, as estrelas, disse Ahikar.
No quarto dia as portas estavam cobertas com panos de várias cores e a corte inteira ornada com trajos multicolores, enquanto o próprio rei vestia uma túnica estampada.
- Pareces Nisan -disse Ahikar - e teus nobres seriam as flores.
Nisan era o primeiro dia do ano babilônico, o que coincidia com o nascimento da primavera, e a resposta satisfez o faraó.
- Uma vez me comparaste a Bel - disse ele, então. - Outra vez ao Sol, à Lua e à Primavera. Dize-me, agora, a que compararias teu senhor Sarhedom?
E Ahikar respondeu:
- Deus me livre de falar de meu senhor Sarhedom estando em tua presença e conservando-te tu sentado. Sarhedom se assemelha a Deus do céu, e os nobres de sua corte aos relâmpagos. Quando quer, torna duro o orvalho e a chuva, até convertê-la em granizo. Eleva colunas de fumaça até os céus de sua realeza: troveja, ruge e impede o Sol de levantar-se, e seus raios de brilhar. Impede que Bel e seus sacerdotes andem pelas praças públicas, impede a lua de sair e as estrelas de brilhar, e, se quiser, ordena ao vento do norte que forme granizo e destrua Nisan e suas flores.
Ouvindo-o, o rei do Egito franziu as sobrancelhas e perguntou novamente ao escriba como se chamava. Então Ahikar se deu a conhecer ante toda a corte, contando como havia escapado da morte. O faraó levantou-se e ordenou que na manhã seguinte lhe dissesse uma palavra ou uma frase que nenhum de seus súditos já tivesse ouvido pronunciar em toda a região do Egito.
Ahikar retirou-se e naquela noite redigiu uma carta: era dirigida ao rei de Nínive e assinada pelo faraó. Nela se dizia que o tesouro do Egito estava empobrecido e o faraó pediu ao rei Sarhedom novecentos talentos(8), com a promessa formal de devolvê-los brevemente.
Quando, no dia seguinte, Ahikar leu aquela carta diante do rei, todos os cortesãos asseguraram que não era a primeira vez que a ouviam.
- Então, disse Ahikar, isso é sinal de que o Egito deve novecentos talentos ao rei Sarhedom.
Os cortesãos ficaram estupefatos. Mas o rei não se deixou abater e pediu a Ahikar que lhe construísse um palácio entre o céu e a terra, a mil côvados de altura. Ahikar mandou trazer as águias  de Esfagni, prendeu-as pelas patas com a corda de linho, fez subir sobre elas as crianças, e, quando estavam no ar, Nabuhail e Tebsalão começaram a reclamar, aos gritos, dos arquitetos do Egito, a argamassa e as pedras de que precisavam para construir.
Os anos fizeram com que Ahikar perdesse a razão - pensou o faraó. - Quem poderia subir com a argamassa até ali?
Ahikar, porém, percebeu o que o faraó estava pensando e disse-lhe que ele não merecia sequer pronuncia o nome de Sarhedom: se o rei de Nínive quisesse construir dois palácios por dia, poderia fazê-lo.
No dia seguinte o faraó propôs-lhe um novo enigma.Assegurava-lhe que quando o cavalo do rei de Nínive relinchava na Assíria, as éguas tinham potrinhos nas cavalariças egípcias. Como podia explicar-lhe aquilo?
Ahikar, antes de responder, mandou que lhe trouxessem um gato, animal sagrado no Egito.
Quando o teve nas mãos bateu-lhe violentamente, sob o pretexto de que matara seu galo predileto lá em Nínive, e era aquele galo que despertava o escriba quando o rei precisava dele. Mas, naquela noite, o gato tinha ido a Nínive, matara o galo e voltara na mesma noite para o Egito.
O faraó corrigiu-o. Os anos, sem dúvida, haviam debilitado sua memória. Como poderia o gato percorrer trezentas parasangas (9) durante uma única noite?
Então o assírio respondeu que um gato muito bem  podia andar numa noite a distância a que se deixava ouvir o relincho de um cavalo.
Mas o rei não se deu por vencido. Pediu-lhe que lhe esclarecesse o sentido de outro enigma: que podia representar uma coluna composta de 8.763 tijolos, sobre os quais havia plantados doze cedros, que por sua vez sustentavam trinta rodas sobre as quais havia dois homens correndo , um branco e um negro?
- Os 8.763 tijolos, respondeu Ahikar, são as horas do ano, os doze cedros são os meses, as trinta rodas, os dias do mês, e o corredor branco é o dia e o negro é a noite.
- Trança-me duas cordas de pó de 50 côvados de comprimento e um dedo de espessura - disse o faraó. E Ahikar respondeu:
- Ordena que me tragam de teu tesouro uma corda deste tipo para que eu possa ve-la e fazer outra igual.
Mas o faraó não aceitou aquela resposta. Ahikar retirou-se e passou a noite acordado, meditando. Por fim, teve uma ideia. Na manhã seguinte fez vários furos, não muito separados, na parede exterior do palácio. Quando o sol bateu ali os raios penetraram pelos orifícios no aposento escuro, e as partículas de pó pareciam bailar ao sol.
- Que teus operários teçam agora esses fios de pó e terás a corda - disse Ahikar ao faraó.
Mas o rei do Egito havia preparado outras provas. Mandou trazer uma mó de moinho que estava quebrada e ordenou a Ahikar que a costurasse. O assírio, sem titubear, apanhou o pilão do moinho, colocou-o diante do rei e disse-lhe:
- Senhor, eu não trouxe comigo o necessário. Ordena aos teus servidores que me fabriquem um fio com isto, que é da mesma matéria, e eu costurarei a mó.
Ouvindo-o, o faraó desatou a rir e abençoou o dia em que Ahikar nascera. Encheu-o de presentes, entregou-lhe o tributo de três anos e os novecentos talentos que, segundo tinham jurado os seus cortesãos, o Egito devia a Nínive, e prometeu instaurar uma festa anual em todo o seu reino, em honra a Ahikar, o escriba assírio.
Quando este retornou a Nínive, Sarhedom em pessoa foi ao encontro dele, abraçou-o e jurou entregar-lhe tudo quanto lhe pedisse: seu reino inteiro, se assim o desejasse. Mas Ahikar só desejava castigar Nadan. O rei mandou que lho entregassem, e o velho escriba começou a dar-lhe uma surra, enquanto dizia:
-Meu filho, vieste confirmar o provérbio que diz:"Apanha o filho de tua irmã debaixo do braço e bate com ele contra uma pedra". Meu filho, foste para mim como aquele que, vendo um homem tiritar de frio, apanha um vaso de água e atira-lhe em cima. Dei-te tudo quanto era bom, e tu me negaste o pão. Untei-te com óleos perfumados e tu me lambuzaste de lama. Dei-te os vinhos mais velhos, e tu nãome deste sequer água para beber. Meu filho, eu fiz de ti uma torre alta e dizia comigo: "Se o inimigo vier contra mim, nela me refugiarei". Porém, quando o inimigo veio, tu te curvaste diante dele. Meu filho, tu me fazes lembrar a árvore que diz aos lenhadores que a estão talhando: "Se não tivésseis em vossas mãos um pedaço do meu corpo, isto é, o cabo de vosso machado, não poderieis derrubar-me". Oxalá pudesses ter sabido ocupar meu posto depois de me matar, mas ainda que a cauda de um porco crescesse sete côvados, ele nunca poderia converter-se em um cavalo, e ainda que seu pelo se fizesse suave e lanoso, nunca serviria para o trajo de um fidalgo.
Assim ia Ahikar admoestando seu filho. Um provérbio assírio diz que ao surdo se obriga a ouvir pelas costas. Nadan invocou sua misericórdia, prometeu seguir seus conselhos, cuidar do gado e honrar seus servidores.
- Meu filho, respondeu Ahikar, tu me fazes lembrar a palmeira do caminho; quando seu dono quis arrancá-la porque não dava frutos, prometeu-lhe ela que se a deixasse viver produziria como a açafroa(10) e seu dono respondeu: "Como produzirás outro fruto se não foste capaz de produzir os que te são próprios?"
Entretanto, Ahikar cessou de surrar o filho e deixou seu julgamento nas mãos de Deus. A lenda conta que Nadan foi inchando como um odre e morreu cedo, enquanto Ahikar, durante muitos anos ainda, desempenhou as funções de escriba do rei.
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Notas:

(1)Daniel era profeta de Israel, de sangue real e Tobias é nome de mais de um hebreu, citado nas Escrituras. A referência deve ser a Tobias, filho de Tobiel, que foi levado para Nínive.
(2)Doutor, que escrevia e interpretava as leis.
(3)Deus
 (4)narrativa que busca ilustrar lições de sabedoria ou ética, através do uso de personalidades de índole diversa, imaginárias ou reais, com personagens inanimados. Servem como exemplos os clássicos apólogos de Esopo e de La Fontaine.
(5)Nome dado pelos hebreus ao último mês do verão, décimo primeiro mês do calendário civil. 
(6) Medida de comprimento que foi usada por diversas civilizações antigas
(7) Um dos deuses assírio-babilônio. Também chamado de Baal. 
(8)Tipo de moeda usada na Assíria, Grécia e Roma, variando de valor conforme o local. 
(9) Medida de distância dos persas, equivalente a cinco km, 520m. 
Planta originária do oriente, cujas flores produzem matéria corante, não tóxica, que serve para dar colorido a massas, doces e mesmo para tinturas.


Fontes:
>http://whc.unesco.org/

www.yandex.ru

Livro Clpassicos da Infância: Lendas do Mundo Inteiro (Círculo do Livro)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A ARTE DE JOHN CONSTABLE

autorretrato

Grande artista britânico, John Constable (1776-1837) é considerado um dos maiores paisagistas de seu país. Era admirador dos paisagistas holandeses, como Claude Lorrain, que tiveram grande influência em sua carreira. Durante sua vida, vendeu apenas 20 telas na Inglaterra, apesar de sua grande aceitação na França.Estudou na Royal Academy Schools. e realizou sua primeira exposição em 1802, só tendo sido aceito como membro da Royal Academy em 1829.
Ele baseava suas obras em desenhos que fazia diretamente da natureza: nuvens, árvores, efeitos de mudança de cor. Trabalhava sempre ao ar livre e, em geral,desenhava diretamente  com óleo ou usava rascunhos que levava para seu ateliê. Ele chamava suas obras maiores de "métricas". Nunca antes as paisagens adquiriram tamanha proporção. Apesar de nunca ter saído da Inglaterra, seus trabalhos influenciaram artistas franceses, entre eles Eugène Delacroix.Ele transmitia como ninguém o azul do céu, o frescor das folhas verdes, a natureza e o relacionamento humano.
Agora, uma amostra de seu trabalho: "mais vale ver uma vez do que ouvir cem vezes", já dizem os russos. Mãos a obra!
* A Catedral de Salisbury vista do jardim do bispo (1823)
 *Stonehenge, Londres
* O carro de feno
 * Nuvens:
 * Retrato de Maria Bicknell, com quem se casou contra a vontade da família dela. Foram felizes, pelo que consta em sua biografia.
O moinho em Fletforde (1817)
* A construção de barcos em Fletforde (1815):
Outras paisagens:

Fontes: 
livro 501 Grandes Artistas
www.yandex.ru

De Verdade (Sándor Márai)

Para muitos críticos, esta é a obra máxima do húngaro Sándor Márai, que levou cerca de 40 anos para escreve-lo. O livro apresenta os conflitos do amor e do casamento, o que pode ser percebido pelo pequeno trecho contido na contracapa da edição brasileira:
"Um dia despertei, sentei na cama e sorri. Nada mais doía. E de súbito compreendi que não existe mulher de verdade. Nem na terra nem no céu. Não existe em lugar algum, aquela. Existem apenas pessoas, e em todas há um grão da verdadeira, e nenhuma delas tem o que do outro nós esperamos e desejamos."
 É a frustração decorrente da idealização. O ideal só existe na mente de quem idealiza.Tudo é narrado com uma elegância de linguagem admirável, que transmite ao leitor as dores do narrador ou dos narradores, já que eles são quatro. 
Você agora diz que sou um homem magoado.Alguém me feriu. Talvez essa mulher, a minha segunda esposa. Ou a primeira. Alguma coisa não deu certo.Fiquei só. Passei por um grande abalo emocional. Sinto ódio. Não acredito nas mulheres, no amor, na humanidade.
 E, em meios a conflitos interiores, entre 'mea culpa' e sentimentos de revolta misturados a desilusão, existe o a burguesia decadente da Europa Central no interregno das duas guerras mundiais, na capital de seu país - a Hungria - cujas feridas são tão profundas como as desilusões amorosas. Cercada pelas tropas comunistas.Márai consegue, com maestria, revelar a fronteira intransponível que separa as classes sociais.
 "Na escala inferior somos capazes de nos alegrar com muitas coisas que suavizam a severidade implacável da vida. Entretanto, a sensação feliz, calorosa, de viver eu não encontrei nem naqueles que pela profissão, ou por vocação, vivem num sentimento de comunhão com a "grande comunidade"...encontrei homens magoados, tristes, insatisfeitos, maldosos, intensamente combativos, resignados, débeis mentais e trabalhadores habilidosos e inteligentes. Pessoas que acreditavam que muito devagar, a custa de acontecimentos imprevisíveis, o destino dos homens melhoraria um pouco. É bom saber disto. Mas o saber não reduz a solidão da vida".
Da orelha do livro, vai a seguir, sua sinopse:
"Numa confeitaria de Budapeste, Ilonka conta a uma amiga a história de seu casamento desfeito, relembra a inutilidade do esforço para decifrar a intimidade e para conquistar a alma do ex-marido, encantado, em segredo, desde a juventude, por uma simples criada. Depois, na atmosfera carregada de um café, Péter, o ex-marido de Ilonka, narra a um amigo a sua própria versão sobre a separação, evoca a dor da perda de um filho e reconhece o preço pago pela paixão inconfessável por Judit, a empregada que servia a rica mansão de seus pais. Mais de trinta anos depois, na cama de um quarto de hotel em Roma, Judit fala ao novo namorado, um músico da noite, sobre a infância miserável, sobre os dissabores vividos na casa dos patrões e sobre a união fracassada com Péter, condenada de início pelo abismo existente entre seu ressentimento indissolúvel e as amarras impostas a seu parceiro, pobre por herança e filiação. Descrevem ainda, a convivência singular com Lázar, o escritor, velho amigo de Péter, entre os escombros da capital húngara bombardeada. No relato de Judit descobrimos a solidão, o desapego material, o desprezo pelas convenções, a paixão pelas palavras, o compromisso com a literatura, traços essenciais do escritor de verdade.
Finalmente, em Nova Yourk, o baterista de cabaré, último confidente de Judit, obrigado a  emigrar para deixar de ser um delator a serviço da polícia secreta da Hungria anexada ao bloco soviético, faz uma crítica áspera da ditadura da sociedade de consumo que, em meio ao culto das aparências  e à avidez desmedida pelo dinheiro, corrompe o sonho americano".

Um pouco sobre o autor:
Sándor Márai nasceu em 11/04/1900, na cidade de Kassa, atual Kósice, na Eslováquia, então pertencente ao Império Austro-Húngaro.

 

Faleceu nos EUA em 1989. Além de escritor, era jornalista e dramaturgo. É considerado um dos maiores escritores  de língua húngara. Seu primeiro romance foi lançado quando Márai tinha, apenas, 24 anos, tendo alcançado enorme sucesso em seu país. Apesar disto, sua obra do regime comunista, era praticamente desconhecida no Ocidente.Romancista, poeta e cronista, é considerado um defensor dos valores morais e civis.Produziu a maior parte de sua obra entre os anos de 1928 e 1948.


Além deste livro, de sua obra foram editados no Brasil, todos pela Companhia das Letras:
* As Brasas (também pela Companhia das Letras)
* O Legado de Eszter
*O Veredicto em Canudos  (1)
* Divórcio em Buda
* Rebeldes
* Confissões de um Burguês

E ainda:
** As velas ardem até o fim (Ed.Dom Quixote)
** A mulher certa (Ed.Dom Quixote)
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Notas da Milu
(1) Romance cuja ação se passa no sertão da Bahia. Escrito em1960, depois de ler “Os Sertões” de Euclides da Cunha, A paisagem cheia de sol, a vegetação a secura e a miséria da caatinga. Sándor Márai retrata tudo isto com grande intimidade e verdade. Apenas alguém que tenha passado por lá saberia descrever tão bem as agruras do sertão da Bahia.