segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Robert Musil: O Homem sem Qualidades

Como economista, não posso me esquecer de me pautar pela 'Lei da Escassez", ou seja, tenho que tentar adquirir o máximo de bens, com o mínimo de recursos. No meu caso, os bens são os livros e os recursos, meu salário...Normalmente, jogo toda e qualquer teoria econômica para o espaço, em se tratando de livros, mas em se tratando deste livro específico, me bateu a dúvida, não só pelo fator "escassez de recursos financeiros", mas também pelo "escassez de tempo": o livro custa R$ 89,90 (que antipatia destes 90 centavos!), o que não está caro para a quantidade de páginas que apresenta: 1280! E é aí que a dúvida me pegou. Nunca ouvi nem li comentário algum a respeito deste  livro antes, apesar de conhecer o autor. 

Para me decidir, consultei a sinopse da Livraria Cultura:
"Ulrich vive diversas experiências, viaja ao exterior e, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, retorna a Viena. Convive com os mais diversos tipos humanos. Este romance-ensaio mostra a decadência dos valores vigentes até o início do século XX, marcando a perda de posição da Europa na decisão dos rumos políticos e econômicos mundiais".
Recorri, também, à Wikipédia, de onde extraí o seguinte:

"Da sua obra (de Musil) destaca-se o monumental O Homem sem Qualidades, um anti-romance ou um não-romance que é acima de tudo uma grande reflexão sobre a época de Musil".
 Com esta quantidade enorme(!) de informações, me decidi pela compra do livro. Assim que o ler, volto a postar.
Inté!

obs: acabo de encontrar uma matéria  sobre este livro na Revista Bula. Parece que ele, realmente, é muito bom. Leiam:
O homem sem qualidades | Revista Bula

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Prêmio Planeta de Literatura


Prêmio Planeta de literatura vai para romance sobre dom Pedro 1º. O escritor espanhol Javier Moro evoca a figura do imperador do Brasil dom Pedro 1º, que mostra como um homem a frente de seu tempo, em seu romance "El Imperio Eres Tú", com a qual ganhou esta noite o 60º Prêmio Planeta.Continue a ler aqui.

Página oficial de Javier Moro:
http://www.javiermoro.com/index.html
fonte: http://www.amigosdolivro.com.br/

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Romance perdido de Saramago chega às livrarias

 Isto é que é notícia boa: acabo de ler via Twitter e estou repassando aos amigos do blog:
O romance Claraboia, escrito nos anos 50 pelo escritor português José Saramago (1922 - 2010), acaba de chegar às livrarias do Brasil e de Portugal pela editora Caminho.
Leiam  mais a respeito deste livro Aqui.
SINOPSE
 «Claraboia é a história de um prédio com seis inquilinos sucessivamente envolvidos num enredo. Acho que o livro não está mal construído. Enfim, é um livro também ingénuo, mas que, tanto quanto me recordo, tem coisas que já têm que ver com o meu modo de ser.» (José Saramago)
  Estou procurando o livro em todas as livrarias, mas - até agora, só o encontrei na própria editora Caminho. Aqui vai o link para os interessados: 
http://www.editorial-caminho.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=53717 
São  400 páginas, a 18,50 euros, fora o frete.
Nas livrarias do Brasil ainda não encontrei, só existe formato digital.
Vamos aguardar!
 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ensaio sobre a cegueira (José Saramago)

Este foi um dos melhores livros que já li em toda a minha vida, na categoria romance. Sou fascinada pela literatura russa e dificilmente consigo gostar tanto assim de outros romances que não sejam de escritores russos. E de Saramago eu gosto tanto quanto, ou pelo menos, quase tanto. Não gosto de ler simplesmente para passar tempo, como quem assiste uma novela da Globo...O romance, para me despertar a atenção, tem que mexer comigo ou me levar à reflexão. E os livros de Saramago cumprem estas duas funções, essenciais para me atrair. E "Ensaio Sobre a Cegueira", de todos, foi o que mais me prendeu. 
O livro, posso afirmar sem medo de ser exagerada, é cinematográfico, ou seja, você o lê com a sensação de estar assistindo a um filme: você "vê" os personagens, as cenas, de tão fantástica é a forma de narrar do autor. À medida em que você vai se prendendo à leitura, você vai "entrando" no livro, e tendo a sensação de estar participando das cenas, de ser um dos personagens, aquele que o autor não citou explicitamente, mas que está lá, sofrendo as mesmas dores e angústias decorrentes desta cegueira inusitada e branca. Ao fim da leitura, tive a sensação de ter estado cega, também. E quem sabe não estou presa daquela cegueira branca, de quem não vê as coisas como elas realmente são?
"Se podes olhar, vê, se podes ver, repara"
Esta epígrafe, como escreve Arthur Nekrovski na orelha do livro, 
"resume a empreitada do escritor, como de cada leitor.Não se trata só de reparar o significado das coisas, mas também de proceder à reparação do que foi perdido, ou mutilado - 'uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos'".
 O enredo do romance gira em torno de uma epidemia de cegueira, diferente das cegueiras habituais, quando o cego vive na escuridão: nesta cegueira, o cego vivia numa brancura leitosa. Tudo começou quando um motorista, parado no sinal, subitamente se descobre cego, numa "treva branca", que vai se espalhar pela cidade, numa epidemia, que levará o governo a tomar a medida mais cômoda (como geralmente acontece com os governos atuais, alheios ao ser humano): decretar uma quarentena a todos os contaminados e aos que com eles tiveram contatos. Nesta quarentena, os cegos, "reduzidos à essência humana" vão viver na "verdadeira treva", pois só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são". Durante a quarentena forçada, os que conseguirem trazer à tona sua capacidade de solidariedade, que conseguirem abafar o egoísmo humano em prol da luta pela sobrevivência no inferno a que foram relegados, numa tentativa de reaprender a vida, conseguiram  recuperar a lucidez e resgatar o afeto,
"tarefas do escritor e de cada leitor, face à pressão dos tempos e ao que se perdeu - 'uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".
Saramago traça, alegoricamente, o que se passa nos tempos modernos, tempos de egoísmo, de ganância, consumismo, enfim, em tempos de falta de valores como o nosso tempo, quando o capital ocupa o lugar do Ser Humano, as necessidades do mercado estão acima das necessidades da vida, os políticos são omissos e, muitas vezes, sem moral.

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." (José Saramago)
  O livro é da Cia.das Letras, numa edição digna de  Saramago. Com 310 páginas, custa R$ 46,00, mas fiquem de olho nas promoções, para isso use o www.bondefaro.com.br

Em 2008 virou filme,produzido  pelo Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles e vencedor do Prémio Nobel. O filme abriu o Festival de Cannes de 2008.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Jacob Von gunten, um diário (Robert Walser)

Infelizmente, Robert Walser, escritor suiço do século XX, é ainda quase desconhecida por nós, o que é uma pena, já que Walser possui, entre seus grandes admiradores, nomes como os de Elias Canetti, Thomas Mann e o grande Kafka que o lia regularmente e tinha entre seus livros prediletos o do presente post. 

Eu, particularmente, entrei em contato com este escritor através de Elias Canetti, ao ler seu livro "A língua absolvida". Neste livro, o autor falou tanto de Walser, que logo me despertou a curiosidade em conhece-lo e estou fascinada.

Jacob Von Gunten é um romance, escrito em forma de diário, dos mais singelos que já li. Acostumada que estou com a literatura russa, que gira em torno de temas pungentes e fortes, a princípio achei que a obra seria desinteressante e, com vergonha admito, até tola. Mas logo vi que a tola era eu. O livro, através de Jacob, o personagem que lhe dá o título, e de outros personagens de igual singeleza, nos leva a refletir sobre os valores da vida moderna, sobre a arrogância, a intolerância  e o egoísmo. 

Jacob, rapaz de origem supostamente nobre, ingressa no Instituto Benjamenta, uma escola dedicada à formação de criados, onde procuravam incutir paciência  nos jovens.E Jacob quer se "auto-educar", perder seu orgulho, apreender a ser útil. 
"Desejoso de aprender a servir, Jacob busca espelhar-se sobretudo no colega Krauss, modelo de humildade e subserviência. O aprendizado, no entanto, se revela penoso e muitos são os mistérios que envolvem o instituto  e sua enigmática direção".

O livro saiu pela Compainha das Letras e custa pouco mais de R$30,00. São 148 páginas de puro prazer da leitura. Deixo para você, que visita este blog, um trecho da obra obtido no site da própria editora. 

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